Comissão Geral

Lenir Rodrigues questiona secretário sobre transição no modelo de gestão da saúde

O secretário estadual de Saúde, Marcelo Lopes, explicou a transição no modelo de gestão da saúde de Roraima após o término do contrato com a Coopebras (Cooperativa Brasileira de Serviços Múltiplos de Saúde), no último dia 2. O questionamento foi feito pela deputada Lenir Rodrigues (CIDADANIA), durante comissão geral que durou mais de cinco horas, na Assembleia Legislativa.

Lenir pediu que Lopes explicasse para os deputados e a população como está sendo esse processo de transição da demanda de médicos, a previsão para suprir a demanda de médicos em todos os municípios e sobre denúncias de falta desses profissionais e de medicamentos e insumos. Ela ainda a possibilidade de aproveitar médicos formados em outros países no combate à Covid e o funcionamento do Hospital de Campanha, administrado pelo Exército Brasileiro para suporte aos doentes pela covid19 na primeira onda da pandemia.

A deputada elogiou o trabalho dos servidores da saúde estadual e comentou que, caso ficasse doente, gostaria de ser internada no Hospital Geral de Roraima. “Não quero ir para fora do estado, por que eu confio nos médicos de Roraima, eu confio nos trabalhadores da saúde de Roraima”, disse. Ela também quis saber sobre o andamento da realização das cirurgias eletivas pela Secretaria de Saúde, uma queixa frequente da população.

Por fim, ela o pediu que jornalistas fossem incluídos como categoria prioritária para a vacinação contra a Covid, tendo em vista sua exposição diária ao vírus, juntamente com outros profissionais da linha de frente, trabalhando para levar informações corretas sobre a pandemia para a população.

Ao responder os questionamentos da deputada Lenir, o secretário de Saúde explicou que o processo de transição para a gestão integrada, “como toda transição, não é fácil e que a mudança é complexa”. Segundo ele, houve alteração nos valores dos plantões e que essa alteração vai garantir, inclusive, ao médico concursado ampliar sua carga horária e preencher os atendimentos necessários.

Lopes ressaltou ainda que alguns problemas precisam ser resolvidos e o primeiro deles aconteceu em Rorainópolis, no sul do estado, já na quarta-feira, 3. Ele explicou que alguns profissionais que atuavam no município, fizeram o novo seletivo para a capital. “Mas hoje mesmo nossa equipe da coordenação de Recursos Humanos está em Rorainópolis para acompanhar isso e nós conseguiremos superar mais essa dificuldade”, garantiu.

Quanto à utilização de médicos estrangeiros que ainda não conseguiram revalidar seus diplomas em universidades brasileiras, o secretário explicou que atualmente não é mais possível o Governo do Estado contratá-los. “Na primeira onda quem custeou todos os médicos, sem diplomas revalidados, foi o governo do estado. Foram 117 médicos. Mas temos que cumprir a lei. No momento de crise e de guerra nós fizemos isso, mas temos nesse momento uma decisão judicial e não podemos mais contratar médicos sem CRM [registro profissional no Conselho Regional de Medicina]”, informou.

Sobre a utilização da estrutura do hospital de campanha, ele disse que atualmente o local tem sido administrado de forma terceirizada, e o Estado está pagando R$610,00 por leito ocupado, além de custear R$70,00/dia não utilizado. O local possui espaço para 120 leitos, que está sendo utilizado para leitos de retaguarda para covid-19.

Lopes aproveitou para informar que toda a estrutura montada naquele local será usada pelo Governo para transferir a maternidade e parte dos pacientes do HGR, quando for necessário iniciar as reformas das duas unidades de saúde. Contudo, ele não estipulou datas.

Quanto às cirurgias eletivas, o secretário explicou que no atual cenário em que vive a saúde não é possível realizar nenhuma cirurgia, que não seja de emergência, por conta da utilização de oxigênio no HGR, principalmente, nos pacientes com covid-19 que demandam muito mais o produto. “Hoje nós temos 60 mil metros cúbicos de oxigênio nos nossos estoques. A gente usa dois mil metros cúbicos/dia. Isso significa que nós temos hoje oxigênio para 30 dias, lembrando que nossa média de dias internados é de 21 dias, significa que só tenho mais uma semana de estoque”, ressaltou, afirmando que assim que os casos de coronavírus baixarem, o índice de internação diminuir, as cirurgias eletivas serão retomadas, começando pelos pacientes internados.

Há ainda previsão, conforme ele, que daqui a 60 ou 90 dias, ocorra mutirões para atender toda a demanda de pacientes eletivos. “Se Deus nos permitir, porque depende da vacinação, da sociedade entender sobre a importância de mantermos o distanciamento social e das medidas restritivas”, completou. Sobre o pedido para incluir a imprensa nos grupos prioritários para vacinação, Lopes lembrou que os profissionais do jornalismo estão, sim, dentro das demandas de prioridade, mas que antes estão também os servidores da segurança, do sistema prisional, da educação e do transporte e comércio. “Nós não temos como tirar agora do grupo prioritário para priorizar esses grupos. Mas vamos buscar uma pactuação, além do prioritário. É uma discussão difícil de ser feita, mas a gente encara e, no momento certo de fazer, a imprensa entrará”, finalizou.


22 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo