FEMINICÍDIO CHAME alerta para a importância de denunciar violência doméstica


As recentes ocorrências de feminicídio, quando a vítima é assassinada por ser mulher, chamam atenção para a realidade vivenciada pela população feminina. Um dos caminhos para evitar esse crime é reconhecer os primeiros sinais de violência, para que a mulher consiga sair desse ciclo antes que ele se agrave.

Após reconhecer a violência, o próximo passo é denunciar. Em Roraima, uma das ferramentas é o Zap CHAME. O serviço é prestado pelo Centro Humanitário de Apoio à Mulher (CHAME), da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR). Por ele, um grupo de plantonistas encoraja, pelo WhatsApp, as mulheres a saírem dessa situação.

Neste ano, o serviço foi essencial para amparar vítimas durante o distanciamento social contra covid-19. Desde o mês de março, a ferramenta realizou cerca de 800 atendimentos da capital, do interior e de outros estados. Destes, 47% foram mensagens referentes à violência doméstica.

A coordenadora do CHAME, Elizabete Brito, explicou que a identificação dos primeiros sinais de violência é uma prevenção para que ela não evolua e para que este ciclo não se encerre de maneira trágica, com o feminicídio.

O ciclo de violência doméstica e familiar começa com pequenos sinais. O tipo de agressão mais difícil de diagnosticar é a psicológica. “A mulher deve prestar atenção no comportamento do seu companheiro, em relação aos seus atos, como por exemplo, implicar com a roupa que ela veste, corte de cabelo, cor do batom, proibir de sair com as amigas, visitar os parentes ou estudar, fazer xingamentos ou humilhação a essa mulher”.

Três fases definem o ciclo de violência. A primeira é a tensão do agressor. Quando começam os momentos de raiva, insultos e ameaças, deixando o relacionamento instável. A segunda, quando o parceiro comete violência verbal, física, psicológica, moral ou patrimonial. Já a terceira, a chamada “lua de mel”, é quando ocorre o suposto arrependimento do agressor, quando ele fica carinhoso e oferece presentes para a vítima, fazendo-a se reconciliar com promessas de mudanças.

Com o passar do tempo, os intervalos entre uma fase e outra ficam menores, e as agressões acontecem sem obedecer à ordem das fases. Em alguns casos, esse ciclo pode terminar com o feminicídio, alertou a coordenadora. O ditado de que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher” não é correto, ou seja, qualquer pessoa que detectar a violência pode encorajar a mulher e denunciar.

A procuradora Especial da Mulher, Lenir Rodrigues (Cidadania), explicou que o trabalho em 2020 foi intenso, sempre com apoio da Mesa Diretora e demais membros da ALE-RR. “Nós temos a gratidão pelo apoio a Procuradoria Especial da Mulher para levar esse trabalho e diminuir o sofrimento das vítimas de violência doméstica e familiar nos lares.”

Quem se identificou nesse ciclo de violência, ou sabe de alguém que está sofrendo, pode mandar mensagens pelo Zap CHAME (95) 98402-0502. O serviço funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. Por meio da ferramenta, é prestado desde o suporte psicológico até o jurídico.


Texto: Vanessa Brito

Foto: Jader Souza

SupCom ALE-RR

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